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Antes de escrever a um arquivo

O arquivo certo depende do ano, não do mapa.

O erro mais comum numa busca ucraniana não custa nada para cometer e leva meses para descobrir: procurar no arquivo da região a que a aldeia pertence hoje. Uma aldeia galiciana mudou de endereço pelo menos três vezes desde que a sua família a deixou — um distrito austríaco, uma voivodia polonesa, uma província soviética que talvez já não exista —, e cada mudança mandou uma camada dos seus papéis para outro lugar. Antes de nomear um arquivo, nomeie o ano e o rito. Esta página percorre os arquivos do oeste da Ucrânia um por um e diz para que cada um realmente serve.

Três perguntas que decidem o arquivo

Que ano? Os livros de igreja vão até a década de 1940; o registro civil soviético assume a partir de 1939–44 no oeste e de 1919 no resto da Ucrânia. Os registros com menos de 75 anos ainda estão no registro civil, que atende apenas parentes e pede prova de parentesco; tudo o que é mais antigo passou para o arquivo estatal da região, onde valem as regras de arquivo e essa conversa não acontece.

Que rito? Na Galícia, uma paróquia greco-católica e uma católica romana atendiam a mesma aldeia, muitas vezes a partir de lugares diferentes, com uma comunidade judaica na cidade mais próxima. O latim era a língua dos dois ritos católicos, de modo que o rito se lê não pela língua de um registro, mas pelos nomes que aparecem nele.

Que eparquia? Horodenka fica hoje na região de Ivano-Frankivsk, mas o que importa é que pertencia à eparquia greco-católica de Stanislaviv: as cópias dos seus registros enviadas ao bispo estão em Ivano-Frankivsk, não em Lviv, e os livros católicos romanos do mesmo distrito estão em Varsóvia. O erro é invisível para quem o comete, e custa um ano de cartas para o país errado.

Lviv: o Arquivo Histórico Estatal Central (TsDIAL)

É o arquivo para onde mandam a maioria das pessoas, e com razão, quando se trata do período austríaco. Guarda as cópias episcopais dos registros greco-católicos da arquieparquia de Lviv e de boa parte da eparquia de Przemyśl, registros católicos romanos e outros, e os dois grandes levantamentos de terras — o cadastro josefino de 1785–88 e o franciscano de 1819–20 —, que listam cada família por número de casa. Grande parte da coleção de registros foi microfilmada e pode ser lida no FamilySearch sem pagar nada.

Vale conhecer dois limites de antemão. A Áustria tornou os registros obrigatórios em 1784, e muito pouco é mais antigo; quem lhe vende uma busca de batismos do século XVII numa aldeia galiciana está vendendo algo que não existe. O que vai mais fundo são os cadastros, que agrupam as pessoas por casa, e não por sobrenome — e por isso separam as cinco famílias do mesmo nome que um livro paroquial não consegue distinguir. E, quanto aos livros paroquiais, o TsDIAL é, na prática, um arquivo do período austríaco: a maior parte dos livros do entreguerras, e tudo o que vem depois, está nos arquivos regionais.

Região de Lviv (DALO), e a província que desapareceu

O Arquivo Estatal da Província de Lviv guarda os livros do registro civil da região, a administração polonesa do entreguerras e os documentos soviéticos a partir de 1939. Parte da sua coleção de registro civil pode ser consultada em formato eletrônico.

A armadilha aqui é uma província extinta. De 1939 a 1959, Stryi, Sambir, Drohobych, Boryslav e Truskavets não ficavam na província de Lviv, e sim na província de Drohobych, que depois foi abolida. Os documentos desses vinte anos estão organizados sob Drohobych, e uma busca “na região de Lviv” passa direto por cima deles. O seu próprio documento costuma resolver a questão: uma certidão de nascimento de 1941 que diz “província de Drohobych” está lhe dizendo onde procurar. Leia a unidade administrativa no papel e date-a pelo ano do papel. As aldeias também mudaram de nome — Jazów Stary tornou-se Staryi Yar —, e um índice só responde à forma que lhe foi dada.

Ternopil (DATO)

É o arquivo em que mais trabalhamos. Guarda livros paroquiais dos dois ritos para a região de Ternopil e — o que quase ninguém espera — os livros paroquiais da década de 1920 até 1944, arquivados nos fundos do registro civil soviético. Não são formulários soviéticos; são os mesmos Liber Natorum e Liber Mortuorum impressos, mantidos e assinados pelo padre, em latim até 1939 e em ucraniano depois. Quando alguém lhe diz que os livros de igreja de uma aldeia “terminam em 1938”, a continuação em geral está aqui, sob um nome que não dá pista nenhuma disso.

O DATO colocou on-line muitos dos seus inventários, e vale ler com atenção as notas dos arquivistas: ao lado de um livro há muitas vezes a lista das aldeias cujos registros ele de fato contém. Se a sua aldeia não está nessa lista, uma resposta anterior de “o sobrenome não ocorre neste livro” era uma resposta sobre o livro, não sobre a sua família.

Os livros de domicílios dos conselhos de aldeia, a partir de 1940, listam cada propriedade com todos os que moravam nela, ano a ano. O número de casa escrito num livro paroquial — nos livros do entreguerras, como povoado e número — leva direto a eles. Ficam guardados à parte do arquivo principal, num depósito que abre dois dias por semana, e os mais recentes em repartições distritais que só respondem a pedidos por escrito. Não é um trabalho que se faça por correio.

Ivano-Frankivsk (DAIFO), e mais além

O DAIFO guarda as cópias consistoriais da eparquia greco-católica de Stanislaviv de 1788 a 1944, os processos de dezoito tribunais distritais — entre eles os casos de tutela, que provam a morte de um pai quando não existe registro de óbito — e folhas do censo de 1921, conservadas de forma desigual. O registro de casamento de uma noiva órfã muitas vezes cita a autorização do tribunal, com lugar, data e número; essa linha é a referência a um processo, e o processo traz a prova da morte dos pais dela.

Fora da Galícia, em resumo. A Volínia é Lutsk e Rivne, e Rivne publicou on-line, discretamente, alguns registros que não estão em nenhum site de genealogia. A Bucovina é Chernivtsi. A Transcarpátia é uma cadeia inteiramente à parte — o arquivo fica em Berehove, os documentos estão em húngaro e em eslavo eclesiástico, o registro civil estatal começa em outubro de 1895, e há mais coisa gratuita on-line do que para a Galícia. A Podólia é Khmelnytskyi, e um incêndio em 2003 no seu depósito em Kamianets-Podilskyi destruiu muita coisa; um catálogo coletivo dos registros sobreviventes, publicado região por região, diz o que restou, e é o meio mais rápido de provar que um livro não existe.

Como perguntar, para que o arquivo possa responder

Pergunte pelo livro, não pela pessoa. A “vocês têm o registro de óbito de N.” um arquivo responde “não” mesmo quando o livro está na estante, porque ninguém olhou dentro dele. A “vocês têm os livros de óbitos da paróquia X de 1914–1923, e em que estado” ele tem de responder sobre o seu acervo. Mesmo envelope, resposta diferente.

Escreva em ucraniano, dê a aldeia com o nome histórico e com o atual, diga que pagará a tarifa publicada e peça resposta por e-mail. O nosso gerador gratuito de cartas produz exatamente essa carta, corretamente endereçada. Os arquivos daqui continuam trabalhando durante a guerra; alguns respondem em semanas, outros em meses, e uma visita à sala de leitura é interrompida pelos alertas aéreos e retomada depois deles.

Uma carta alcança o que os funcionários conseguem encontrar da própria mesa em uma hora. Não alcança um livro sem índice que precisa ser lido página por página, a segunda via em outro fundo, o processo judicial que precisa ser pedido e esperado, nem o depósito que abre às terças-feiras. Essa é a parte que nós fazemos.

O que fazemos, e quanto custa

A avaliação é gratuita: o sobrenome, a aldeia, os anos. Uma verificação dos registros custa US$ 140 — quais livros da sua aldeia e dos seus anos sobreviveram, nos dois ritos, em qual arquivo e em qual país, o que está on-line e o que se perdeu. É uma resposta por escrito, e, se os livros não sobreviveram, você pagou US$ 140 para parar de procurar, o que é o bom desfecho mais barato que um caso pode ter. Um dia na sala de leitura custa US$ 290: os livros pedidos e lidos, os registros fotografados, transcritos e traduzidos, com um relato por escrito de tudo o que foi verificado, esteja a sua família ali ou não. As taxas de cópia dos arquivos são do arquivo, não nossas, e você fica sabendo o valor antes de pagar qualquer coisa.

O que nos perguntam sobre os arquivos

Os arquivos estão abertos durante a guerra?

No oeste da Ucrânia, sim. As salas de leitura funcionam em horário reduzido, fecham durante os alertas aéreos e reabrem depois. Alguns arquivos do leste e do sul foram evacuados ou estão fechados, e dizemos quais quando olhamos o seu caso. Não prometemos um prazo que a própria instituição não nos deu.

Já não está tudo no FamilySearch?

Muita coisa está — sobretudo as cópias episcopais dos registros galicianos microfilmadas nas décadas de 1990 e 2000 —, e é de graça. O que não está lá: a via da própria paróquia, que é diferente; a maioria dos livros do entreguerras; documentos judiciais, de terras e escolares; o registro civil soviético; os livros de domicílios. Se o filme de que você precisa existe, a avaliação gratuita dirá isso, mesmo quando isso nos custa o pedido.

Posso obter uma certidão oficial por meio de vocês?

A certidão é emitida pelo arquivo a você, não a nós — um extrato de arquivo com selo, que é o que um consulado ou um tribunal quer. As nossas fotografias são pesquisa. O que fornecemos é a parte que o arquivo não faz: estabelecer qual livro, qual ano e qual registro, para que o seu pedido possa ser respondido com “encontrado”.

Um arquivo já me disse que não tem nada. Isso é definitivo?

Muitas vezes não é. Uma resposta negativa que não nomeia o livro verificado nem os anos que ele cobre diz muito pouco. O registro pode estar na outra via, sob outro ano — um registro tardio fica sob o ano da ordem judicial, não sob o ano do fato — ou na paróquia do outro rito. Verificamos o que exatamente foi olhado antes que alguém conclua que nada existe.

A minha aldeia fica no leste ou no centro da Ucrânia. Vocês podem ajudar?

Com orientação, sempre, e a avaliação é gratuita onde quer que a aldeia fique. Dias de sala de leitura fora das regiões ocidentais dependem do arquivo e do mês; pergunte, e dizemos com clareza se podemos fazer ou quem pode.

Diga a aldeia e os anos

O sobrenome, a aldeia como você a conhece e os anos que procura. Respondemos por escrito em até dois dias úteis — qual arquivo, qual país, o que já está on-line e quanto custaria o próximo passo, se houver um.

Cinco buscas diferentes

Qual destas é a história da sua família?

Onde estão os registros depende do que aconteceu com a família, e não de onde a aldeia fica hoje. Cada uma destas páginas diz por quais arquivos passa o seu caso e que parte dele não custa nada.

Descubra qual é o arquivo antes de escrever a qualquer um deles.

Uma carta ao arquivo errado recebe uma resposta verdadeira: “não temos nada”. Diga a aldeia e os anos, e diremos, sem cobrar, para onde foram os registros dela.