Se a sua família veio dos Kresy
Os papéis foram para Varsóvia. A aldeia ficou aqui.
Uma família expulsa da região de Tarnopol ou de Lwów em 1945 levava uma mala e a lembrança de uma aldeia, e essa lembrança tem hoje oitenta anos. A boa notícia é que a Polônia guardou muito mais papel sobre essas famílias do que a maioria dos netos imagina, e boa parte dele é de consulta gratuita. A notícia melhor é que isso não é tudo: parte dos registros nunca saiu daqui, e a própria aldeia — o cemitério, o pomar onde ficava a casa — continua onde estava. Esta página diz o que é o quê.
Comece pela Polônia, não pela Ucrânia
Preferimos dizer isto a ser pagos para descobri-lo por você: os primeiros documentos de uma busca nos Kresy — os antigos territórios orientais da Polônia — estão em arquivos poloneses, e você não precisa de nós para chegar a eles.
- Os papéis da repatriação — toda família que veio para o oeste em 1944–46 foi registrada pelo Escritório Estatal de Repatriação, o PUR. A ficha traz nomes, idades, ofício, a composição da família e a aldeia que deixaram, anotados naquele ano, e não lembrados oitenta anos depois. Os processos estão nos arquivos estatais poloneses da região onde o transporte chegou
- Registros com menos de cerca de cem anos — as księgi zabużańskie, os livros paroquiais levados para a Polônia depois da guerra, ficam no cartório de registro civil USC Warszawa-Śródmieście, que emite extratos para os descendentes
- Registros mais antigos — o Arquivo Central de Documentos Históricos, em Varsóvia, o AGAD, guarda os livros católicos romanos da arquidiocese de Lwów, além de registros greco-católicos, evangélicos e judaicos. Grande parte está digitalizada e pode ser lida on-line de graça, e voluntários indexaram muitas paróquias por nome na Geneteka
- Se alguém foi deportado em 1940 ou preso em 1939–41, o Indeks Represjonowanych pode ser pesquisado on-line, sem custo
O que nunca foi para Varsóvia
“Está tudo em Varsóvia” é o conselho de sempre, e é só meia verdade. As séries levadas para a Polônia se interrompem: para uma cidade, os livros católicos romanos em Varsóvia terminam em 1920; para outra, os casamentos só começam na década de 1870. Enquanto isso, os arquivos provinciais daqui guardam os livros paroquiais da própria aldeia para os anos entre as guerras e os primeiros anos da guerra — arquivados nos fundos do registro civil, e é por isso que ninguém procura ali um livro de igreja —, e desses não existe cópia nenhuma na Polônia.
Os registros também eram mantidos em duas vias, uma na paróquia e outra enviada ao consistório do bispo. Depois da guerra, muitas vezes um conjunto viajou e o outro ficou. Os dois não são idênticos: o segundo era escrito à parte, às vezes semanas depois, e um assento que falta num deles aparece com frequência no outro. Uma família que tem “todos os registros” de um só país em geral viu metade.
E há tudo aquilo que nunca foi livro de igreja: os processos dos tribunais distritais, com casos de tutela e de herança, os registros de terras organizados por número de casa, os documentos escolares que nomeiam o pai, o ofício e o endereço dele, os cadastros austríacos de 1787 e 1820, que listam cada família casa por casa. Nada disso foi evacuado. Para Wołyń, os arquivos ficam em Lutsk e Rivne, e parte do que guardam foi colocada on-line, discretamente e de graça.
A família polonesa numa aldeia ucraniana
Numa aldeia majoritariamente greco-católica, os católicos romanos eram umas poucas casas e não tinham paróquia própria. Pertenciam à paróquia católica romana da cidade mais próxima, a oito ou quinze quilômetros — de modo que os registros da metade polonesa da família não estão, de forma alguma, nos livros da aldeia. Há quem passe anos percorrendo o microfilme errado por causa disso. A pergunta nunca é “qual aldeia”, e sim “qual paróquia católica romana atendia aquela aldeia”.
Os casamentos mistos fecham a mesma armadilha pelo outro lado. Um noivo greco-católico e uma noiva católica romana casavam-se na paróquia de um dos ritos, quase sempre o dela, e na outra paróquia não há assento nenhum. O registro existe; está no livro que ninguém pensou em abrir.
Se o endereço era uma “osada”
Nas listas administrativas polonesas de 1921–39, a palavra osada ao lado de um lugar quase sempre indica uma colônia de colonos militares: lotes concedidos depois de 1921 a veteranos de 1918–20. Para a busca, isso muda tudo. Não há registros locais de uma família assim antes de 1921, porque ela veio da Polônia central, e os seus registros anteriores estão lá.
Isso também explica fevereiro de 1940. As listas de deportação não foram feitas a partir de mexericos de aldeia; foram compiladas a partir dos papéis das comunas que o NKVD havia apreendido no outono anterior, entre os quais estava o registro de terras do programa de colonização. Quem tinha um lote estava na lista, com todos os que moravam nele. Os chefes dessas famílias muitas vezes somem por completo dos índices de deportação, porque foram presos antes e em separado — e esse rastro é um rastro de prisão, e está na Ucrânia: os processos de investigação nos arquivos do serviço de segurança, abertos por lei desde 2015, e a chamada lista ucraniana de Katyn, com 3.435 presos fuzilados na primavera de 1940, publicada nome por nome.
A esposa que chegou à Polônia sem ele em geral recorreu à Justiça para que fosse declarado morto. Esses processos trazem o depoimento da própria família sobre quando e onde ele foi visto pela última vez, tomado enquanto as pessoas ainda se lembravam, e o edital do tribunal saiu no diário oficial, que está digitalizado e pode ser pesquisado sem pagar nada.
A aldeia que já não está no mapa
Muitos endereços dos Kresy não retornam nada num mapa atual. Às vezes o nome foi mudado depois da guerra; às vezes a aldeia foi destruída em 1943–45 e nunca reconstruída; às vezes está debaixo de uma represa. Uma busca vazia não prova nenhuma dessas hipóteses, e antes que alguém pague por um dia em campo é preciso estabelecer qual delas vale.
O meio de estabelecer isso é o mapa militar polonês do entreguerras, na escala 1:25.000, sobreposto à imagem de satélite de hoje. Ele situa a aldeia com precisão de dezenas de metros e mostra o que há ali agora: um campo, um bosque, uma cruz, os restos de um cemitério. Onde as famílias polonesas foram substituídas por novos moradores, as casas foram renumeradas, de modo que um número de casa de antes da guerra já não corresponde a nada na rua — mas o desenho da estrada, do riacho e das propriedades corresponde, e também o nome do povoado, que os mais velhos da aldeia ainda usam.
Se a sua família tem uma planta da aldeia desenhada de memória por alguém que partiu em 1945, com as propriedades numeradas, ela vale mais do que qualquer mapa. O número nessa planta é o mesmo que está no livro paroquial.
O que fazemos, e quanto custa
A avaliação é gratuita: diga o sobrenome, a aldeia como a sua família a chama e os anos, e respondemos por escrito — inclusive, quando for verdade, que o seu próximo passo é um arquivo na Polônia, e não nós.
Uma verificação dos registros custa US$ 140: quais livros da sua aldeia e dos seus anos sobreviveram do lado ucraniano, nos dois ritos, o que eles cobrem que Varsóvia não cobre, e o que se perdeu. É uma resposta por escrito, e “aqui nada sobreviveu” também é uma resposta. Um dia na sala de leitura custa US$ 290, e um dia na aldeia também: o cemitério lido pedra por pedra — os túmulos poloneses costumam ser os mais antigos e os mais tomados pelo mato —, o lugar onde ficava a casa, a igreja, a rua e os vizinhos perguntados sobre o que lembram. Se nada da sua família for encontrado na aldeia, metade desse valor volta para você. Registrar um cemitério inteiro, cada pedra com uma planta numerada, custa US$ 490. Trabalhamos nas regiões de Ternopil, Lviv e Ivano-Frankivsk; mais longe, pergunte antes.
O que as famílias dos Kresy nos perguntam
É possível ir até lá agora, durante a guerra?
Nós já estamos aqui — é esse o sentido do serviço. O oeste da Ucrânia vive sob alertas aéreos, mas vive; as salas de leitura dos arquivos estão abertas e as aldeias continuam onde estavam. Você não precisa viajar: recebe as fotografias, as gravações e um relatório por escrito. Se quiser vir pessoalmente mais tarde, dizemos com franqueza o que isso envolve nas nossas páginas sobre segurança.
Vai restar alguma coisa de um cemitério polonês?
Em geral alguma coisa, raramente tudo. As cruzes de pedra e os jazigos de família anteriores a 1914 resistem melhor do que os túmulos do entreguerras; as cruzes de madeira desapareceram; alguns cemitérios foram limpos por voluntários e outros são um matagal. Olhamos a imagem de satélite e perguntamos na aldeia antes de marcar o dia, e dizemos o que esperar. Um enterro feito em silêncio, à noite, em 1944 talvez nunca tenha tido lápide, e não vamos lhe prometer uma.
Preciso de um documento para uma repartição ou um tribunal, não para uma árvore genealógica. Vocês podem fornecê-lo?
As nossas fotografias são pesquisa, não certidões. Uma repartição quer um extrato oficial com selo, e só o arquivo ou o registro civil pode emiti-lo — para você, como descendente, em geral por uma pequena taxa. O que podemos fazer é descobrir onde e quando o assento foi lavrado, que é a parte que o arquivo não fará por você: um pedido sobre “algum lugar perto de Tarnopol, por volta de 1930” volta com “não encontrado”. Com o ano, a paróquia e o assento, você mesmo pede o extrato.
Minha avó dizia que a aldeia ficava “perto de Tarnopol”. Isso basta?
É um começo. Numa mesma região pode haver várias aldeias com o mesmo nome — há pelo menos quatro chamadas Załawie —, por isso pedimos uma segunda coordenada: a paróquia, o distrito, uma aldeia vizinha, um rio. O nosso localizador gratuito de aldeias recebe o nome como a sua família o escreve e mostra as candidatas, com o nome atual e o distrito.
Vocês escrevem em polonês?
Sim. Escreva-nos em polonês, e a resposta, o relatório e a fatura vão em polonês.
Escreva-nos o sobrenome e a aldeia
O sobrenome, a aldeia como a sua família a chama e o que aconteceu em 1939–46, se você souber. Respondemos por escrito em até dois dias úteis: o que está na Polônia e é gratuito, o que só existe aqui e se um dia na aldeia vale a pena.
Cinco buscas diferentes
Qual destas é a história da sua família?
Onde estão os registros depende do que aconteceu com a família, e não de onde a aldeia fica hoje. Cada uma destas páginas diz por quais arquivos passa o seu caso e que parte dele não custa nada.
Qual arquivo guarda a sua aldeia
Lviv, Ternopil, Ivano-Frankivsk, Varsóvia: depende do ano, do rito e da eparquia — não da região de hoje.
Uma família lemko
A aldeia fica na Polônia, e os livros antigos também. A família que ficou foi levada para a Ucrânia em 1944–46 — para as regiões onde trabalhamos.
Uma família judia da Galícia, da Volínia ou da Podólia
Dois impérios e dois sistemas de registro. Quais livros estão em Varsóvia, quais sobrevivem na Ucrânia e o que fazer onde os registros da comunidade se perderam.
Levados para trabalhos forçados, 1941–45
Ninguém emigrou — alguém foi levado para a Alemanha. Três arquivos em três países anotaram isso.
Oitenta anos não é tarde demais. É quase tarde demais.
Os livros vão durar. As pessoas que lembram de quem era cada casa, não. Se a aldeia da sua família fica na região de Ternopil, Lviv ou Ivano-Frankivsk, diga-nos o nome dela.