Escrito para famílias que começam a busca a partir da América do Norte, do Brasil ou da Argentina.
01
O manifesto do navio
O documento mais valioso, e de busca gratuita. A partir de cerca de 1906, os manifestos americanos têm duas colunas que decidem tudo: última residência permanente e nome e endereço do parente mais próximo no país deixado para trás. Essa segunda coluna traz muitas vezes a aldeia por extenso, às vezes com número da casa.
Onde procurar: a base da Ellis Island / Statue of Liberty Foundation, o FamilySearch, o Ancestry (gratuito na maioria das bibliotecas públicas) e, no Canadá, a Library and Archives Canada. No Brasil, os registros da Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo.
A armadilha: procure pelo sobrenome como ele soa, não como se escreve hoje. Um funcionário anotou Wasyl Hryniewicz como Basil Renewitz, e o índice o copiou fielmente.
02
Papéis de naturalização
A declaração de intenção e a petição de naturalização perguntam o local de nascimento e, depois de 1906, a resposta costuma ser um lugar específico, não um país. Muitos também informam a data e o porto de chegada, o que leva direto ao manifesto.
Onde procurar: Arquivo Nacional dos EUA (NARA) e fóruns de condado; no Canadá, os registros de naturalização na Library and Archives Canada.
A armadilha: o local de nascimento aparece como se chamava politicamente na época — “Áustria”, “Polônia”, “Rússia” ou “Galícia” podem descrever a mesma aldeia, na mesma década.
03
Fichas de alistamento militar
As duas guerras mundiais geraram fichas para homens de faixas etárias amplíssimas, inclusive imigrantes que nunca serviram, e ambas perguntavam data e local de nascimento nas palavras do próprio homem. O registro americano de 1942, o chamado “alistamento dos velhos”, cobre homens nascidos já em 1877 e é uma das fontes mais ricas para essa geração.
Onde procurar: gratuitamente no FamilySearch e na edição para bibliotecas do Ancestry.
A armadilha: a letra é do registrador, não do seu antepassado. Leia o nome da aldeia em voz alta em ucraniano ou polonês e muitas vezes ele se resolve.
04
Registros de igreja do seu lado do oceano
Os livros de batismo, casamento e óbito da paróquia a que a família se juntou depois de chegar registram com frequência o local de nascimento, porque o padre perguntava e não havia motivo para mentir. Os melhores são os de casamento: duas famílias, quatro pais e muitas vezes duas aldeias nomeadas na mesma linha.
Onde procurar: a própria secretaria paroquial, o arquivo eparquial ou diocesano e, para paróquias fechadas, a instituição que as absorveu.
A armadilha: peça o livro, não a certidão. A certidão moderna transcreve só o que cabe no formulário, e a aldeia é exatamente o que fica de fora.
05
A certidão de óbito e o cemitério
A certidão de óbito nomeia o local de nascimento como a família o declarou — e, a essa altura, a família repetia o que o falecido lhe dissera por cinquenta anos, o que costuma ser mais preciso do que qualquer formulário oficial de 1910. A lápide pode ser ainda melhor: túmulos ucranianos e poloneses frequentemente trazem a aldeia de nascimento em cirílico sob o nome.
Onde procurar: cartórios e órgãos de registro civil e o próprio livro de sepultamentos do cemitério, em geral mais detalhado que a pedra.
A armadilha: fotografe a lápide inteira, incluindo o verso e a base. As inscrições eram frequentemente continuadas onde o marmorista tinha espaço.
06
Cartas e os envelopes em que vieram
Um envelope vale mais do que todas as bases desta lista. Um endereço escrito em cirílico ou em polonês, enviado da aldeia para a sua bisavó, nomeia a aldeia, o distrito e muitas vezes a agência postal a que pertencia. As famílias jogam fora as cartas e guardam as fotografias; deveria ser o contrário.
Onde procurar: com o parente que herdou “a caixa”. Costuma ser justamente aquele em quem ninguém pensa, porque não é ele quem se interessa por genealogia.
A armadilha: não mande traduzir as cartas às pressas. Fotografe primeiro os envelopes — só os carimbos já datam e localizam uma família.
07
Fotografias com carimbo de estúdio
Retratos de estúdio de 1900 a 1930 trazem o nome do fotógrafo e a cidade impressos no cartão. Essa cidade quase nunca é a aldeia — é a vila de mercado até onde a sua família ia a pé, o que reduz o raio da busca de um país para uns quinze quilômetros.
Onde procurar: no verso de cada fotografia montada da família e nos cantos da frente, onde o carimbo era muitas vezes gravado em relevo em vez de impresso.
A armadilha: o que está escrito atrás com outra letra costuma ser o palpite de um neto posterior. Trate o carimbo impresso como prova e o lápis como hipótese.